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Processamento Auditivo Central

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Processamento Auditivo Central
Dra. Liliane Desgualdo
Doutorado e Mestrado em Distúrbios da Comunicação Humana (Fonoaudiologia) pela Universidade Federal de São Paulo. Graduação em Fonoaudiologia pela Universidade Federal de São Paulo. Livre-Docência pela Disciplina dos Distúrbios da Audição do Departamento de Fonoaudiologia da UNIFESP.
Publicado em: 20/07/2009
Última atualização: 20/07/2009

O que é processamento auditivo?

Processamento auditivo pode ser entendido de uma forma simplista como “o que fazemos com o que ouvimos”, ou ainda como analisamos, classificamos, organizamos, interpretamos os eventos acústicos.
O termo Processamento Auditivo (PA) diz respeito a como os indivíduos analisam os eventos acústicos que são por ele recebidos via o sentido da audição. Trata-se de um termo específico usado quando estudamos a audição, um dos sentidos pelo qual o indivíduo recebe e analisa os estímulos físicos, permitindo o seu contato com o mundo real.
O processamento auditivo atua de forma predominante no desenvolvimento da linguagem e das habilidades acadêmicas.

O processamento auditivo:

- faz parte do processo de comunicação, que é uma das mais complexas funções do cérebro humano e a responsável por toda a evolução intelectual da humanidade;

- depende de atividades sofisticadas do sistema nervoso auditivo central e cérebro;

- desenvolve-se através das experiências vividas no mundo sonoro nos primeiros anos de vida, associadas às emoções advindas destas.

Por meio desse processamento neurológico das informações auditivas, as experiências que significam são memorizadas e adquire-se conhecimento dos sons da língua e de suas regras (gnosia).

Distúrbios do processamento auditivo são decorrentes de déficits do processamento de informação de sinais audíveis não atribuídos a perda auditiva nem a déficit intelectual. Trata-se de uma limitação da transmissão, análise, organização, transformação, elaboração, armazenamento e/ou recuperação (memória) e uso das informações contidas em um evento acústico. Portanto, um déficit no processamento da informação específica da modalidade auditiva.

Um distúrbio do processamento, abreviado DPA(C), pode ser piorado por ambiente acústico desfavorável e interfere nas habilidades acadêmicas na escola.

O desenvolvimento normal de fala e de linguagem é um reflexo de função cerebral intacta. Atraso de fala ou de linguagem ou um DPA(C) podem ser sintomas ou sinal de danos no processamento neurológico e ocorrem devido a uma desorganização funcional do cérebro.

Compreendendo um distúrbio da audição:

Ao recebermos um som, evento acústico do mundo externo, nosso organismo o transformará em uma imagem mental que, quando estiver completa, será analisada e formulada uma resposta. Para que essa imagem mental esteja completa, torna-se necessária a integridade das estruturas responsáveis por receber e analisar este estímulo físico presente no mundo real. As estruturas orgânicas responsáveis por esta análise são: aparelho auditivo (orelhas externa, média, interna e nervo auditivo), responsável por receber, transmitir, sem perdas das características do sinal para o nervo auditivo; sistema nervoso central e cérebro, responsáveis por analisar, integrar as informações sensoriais auditivas com as vindas dos outros sistemas sensoriais e programar a resposta a este conjunto de estímulos.

Quando a imagem mental que representa o som está ausente ou incompleta, devemos pesquisar se ocorreram danos ou bloqueios na organização ou transmissão do estímulo físico, inicialmente pelo sistema auditivo periférico e posteriormente pelo sistema auditivo central e/ou córtex auditivo.
No primeiro caso temos as alterações na capacidade de detectar ou transmitir sons por alterações funcionais decorrentes de danos em algumas das partes da orelha ou externa/média, ou interna e/ou no nervo auditivo.

Essas alterações funcionais são denominadas perda auditiva. Essas perdas auditivas podem ser classificadas quanto ao tipo em perda auditiva condutiva, neurossensorial ou mista, quanto ao grau em leve, moderado, moderadamente severo, severo ou profundo, e quanto à configuração em ascendente, descendente, plana, em altas frequências ou em baixas frequências.

No segundo tipo de dano que acomete as vias auditivas do sistema nervoso central, que tem seu início nos núcleos cocleares, passando por complexo olivar superior, lemnisco lateral, colículo inferior, corpo geniculado medial, chegando ao córtex auditivo (lobo temporal), corpo caloso, e conexões do lobo temporal com outras áreas do cérebro, temos as alterações na capacidade de analisar, ou integrar informações sensoriais, ou organizar informações sensoriais em uma sequência no tempo.

Essas alterações funcionais são denominadas distúrbio do processamento auditivo. São classificadas segundo o prejuízo gnósico (transformação da linguagem externa em linguagem interna) em: decodificação (análise auditiva), codificação (integração de informações) ou organização (ordenação temporal de sons).


Quais são as características do indivíduo com distúrbio do processamento auditivo?


Um indivíduo com deficiência no processamento auditivo tipicamente se apresenta com:

- dificuldade em aprender;

- dificuldade em entender. Essa dificuldade em entender piora na presença de: ruído de fundo, fala rápida, fala alterada;

- dificuldade em executar instruções orais.

Algumas queixas comuns em relação às crianças são:

“Vive distraído” ou “Vive no mundo da lua”

“Ele só ouve o que quer”

“Não presta atenção na professora”

“Não consegue aprender”

Algumas queixas comuns em adultos são:


“Não consigo passar na prova de proficiência em inglês”

“Estava indo muito bem no meu emprego até que me solicitaram realizar treino para um grupo de pessoas”

Uma queixa comum em idosos:

“Ouço, mas não entendo”

Compreendendo melhor as manifestações de um DPA(C):

Indivíduos com distúrbio do processamento auditivo têm dificuldade em ouvir e/ou compreender informações recebidas por meio da audição, apesar de apresentarem boa capacidade para detectar tons puros (limiares de audibilidade normais), inteligência adequada à faixa etária, motivação e boa saúde pessoal.

Podem também apresentar dificuldade de apreciação musical, dificuldade de responder para tons puros, dificuldade em acompanhar conversação em ambientes ruidosos, desconforto frente a sons intensos, podendo ser observadas mudanças no comportamento durante a comunicação, como, por exemplo, falar “choramingando”; dificuldade em aprendizado escolar; dificuldade de memória; lentidão para responder; apresentar verborreia; dificuldade em manter a atenção – são indivíduos que se distraem facilmente com sons ou com outros estímulos do ambiente; não sabem o local de origem dos sons; pedem repetição da informação; têm dificuldades para lembrar coisas que aprenderam auditivamente; podem apresentar problemas com os sons de fala; podem apresentar uma história longa e repetida de otite média; e ainda apresentar baixa autoestima.

Além disso, geralmente o que os pais e/ou professores trazem como queixa é que a criança só presta atenção quando quer, ou quando está interessada, ou não o faz porque é preguiçosa. Este tipo de queixa de “só fazer quando quer” para se referir à lição de casa, responder quando chamado, etc. é a queixa espontânea mais comumente observada na clínica diária.


Quais as causas?

Um distúrbio do processamento auditivo ocorre por déficits em um ou mais dos processos de localização sonora, discriminação, reconhecimento de um padrão sonoro, aspectos acústicos relacionados ao tempo (resolução temporal), à frequência (resolução de frequência) e à ordenação temporal, ou do desempenho frente a sinais acústicos competitivos ou distorcidos. As causas podem ser lesões neuromorfológicas cerebrais, distúrbios neurológicos ou ainda atraso maturacional das vias auditivas do sistema nervoso central e cérebro. No Brasil não existem trabalhos epidemiológicos indicando as prevalências de cada uma dessas causas.

Podemos encontrar distúrbio do processamento auditivo em indivíduos que apresentam:

• problemas neurológicos como a hiperbilirrubinemia, meningite, esclerose múltipla, atrofia cerebral,
lesões focais cerebrais, entre outros;

• privação sensorial;

• problemas congênitos;

• diabetes, lúpus eritematoso sistêmico;

• problemas cognitivos;

• problemas psicoafetivos: psicose, autismo, distúrbios emocionais.

• Nos distúrbios da comunicação humana podemos encontrar distúrbio do processamento auditivo nos casos de problemas de desorganização do sistema fonológico, problemas de voz; problemas de ritmo da fala; problemas de leitura e escrita.

A DPA, do ponto de vista clínico, pode coexistir com outras áreas de disfunção e, além disso, frequentemente também se observa um padrão familiar.
Portanto, acreditamos que existam causas genéticas e adquiridas da DPA que ainda carecem de mais estudos futuros.


Como avaliar o processamento auditivo?

A avaliação do processamento auditivo pode ser feita por meio de testes auditivos comportamentais e eletrofisiológicos. Testes comportamentais avaliam diversas habilidades auditivas; as alteradas guiam o plano de intervenção. Testes eletrofisiológicos avaliam a resposta do sistema auditivo por meio de medidas elétricas.

A utilização de testes comportamentais padronizados tem sido realizada aqui no Brasil desde 1993 e tem fornecido uma contribuição significativa no diagnóstico e na terapêutica fonoaudiológica.
Os princípios básicos da avaliação do processamento auditivo dizem respeito a verificar a separação/fusão binaural; o funcionamento das vias contralaterais à orelha direita ou esquerda em escuta dicótica; o processamento temporal e a dominância hemisférica para a linguagem.

Os princípios adicionais relacionam-se ao fato de que muitas doenças acometem o funcionamento das vias auditivas do sistema nervoso central e cérebro e não afetam a sensibilidade auditiva, e de que algumas doenças afetam a audição periférica e em sequência a audição central, e apenas um teste de reconhecimentos de fala sensibilizada não é um desafio suficiente para avaliar a audição central.

Para avaliar a função auditiva central é necessário um conjunto de procedimentos que avaliem os processos de localização sonora, reconhecimento de um padrão sonoro, aspectos acústicos relacionados ao tempo (resolução temporal), a frequência (resolução de frequência) e a ordenação temporal, bem como o desempenho frente a sinais acústicos competitivos e distorcidos.


Como funciona o tratamento?

O processo de reabilitação realizado deve ter ênfase na estimulação auditiva e de linguagem e deve levar em conta mudanças no ambiente acústico, o desenvolvimento de habilidades auditivas e de linguagem, e o processo de comunicação no meio ambiente. Assim, o tratamento funciona realizando parcerias: família, escola, indivíduo com DPA e os profissionais da saúde que cuidam desse indivíduo.

Assim, para o tratamento da DPA(C) é preciso considerar:

- o ambiente acústico em que essas pessoas estão inseridas e proporcionar condições favoráveis para o desenvolvimento das habilidades da audição e da linguagem. A inteligibilidade da fala em um ambiente é influenciada pelo nível (intensidade) da voz do falante, pela articulação do falante e pela reverberação e ruído do ambiente;

- o desenvolvimento das habilidades auditivas do indivíduo com DPA(C): que pode ser realizado de duas formas distintas e/ou combinadas: (1) lúdica, com o terapeuta, com os pais ou na própria escola e (2) formal, em cabina acústica, controlando todas as variáveis – frequência, intensidade e duração;

- o desenvolvimento das habilidades de linguagem do indivíduo com DPA(C): o processo de reabilitação deve envolver também a organização do conhecimento sobre fonologia, sintaxe e semântica, mecanismos inerentes ao processo de linguagem. É importante considerar que o tratamento de um DPA(C) deve desenvolver a linguagem. Assim, acredita-se que linguagem seja a medida do desfecho pelo qual todas as intervenções na infância precoce, incluindo implante coclear, devem ser analisadas. Além disso, a reabilitação desse distúrbio é um trabalho em equipe multidisciplinar, da qual participam: médicos (neurologistas, pediatras, otorrinolaringologistas), psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos, família e escola.


Como os pais ou pessoas próximas podem ajudar o portador de distúrbio do processamento auditivo?


– Reconhecer que o indivíduo com DPA não tem controle de suas dificuldades.

– Posição do indivíduo com DPA em sala de aula preferencial, isto é, de modo a permitir a completa visualização do rosto do falante.

– Entregar a aula impressa antes de ministrar.

– Não pedir para ouvir e anotar.

– Reconhecer que pode ocorrer cansaço mental antes do esperado. O descanso mental significa uma atividade motora, como subir e descer escadas.

– Perguntar se entendeu pedindo para repetir a solicitação.

– Realizar avaliação por meio de questionamento verbal e não por escrito.

– Compreender que este indivíduo não tem dificuldades com os seus recursos intelectuais. Descobrir seus talentos.

– Cuidar do ruído do ambiente físico para garantir a inteligibilidade da fala.

– Ouvir com compreensão o que o indivíduo com DPA tem a dizer sobre o seu comportamento.

– O professor de educação física e o de música podem ajudar com treinamento auditivo durante as atividades.

– Falar com clareza e dando pista orofacial.

– Realizar solicitações em frases curtas, dando uma ideia por vez. Ex.: Abra o estojo. Procure o lápis preto. Pegue o lápis preto.

– Chamar a criança pelo nome.

– Falar olhando para a criança.

– Falar com um ritmo contendo pausas nítidas, com articulação clara e com ênfase na entonação.

– Fornecer pistas contextuais.

– Apresentar uma ideia por vez.

– Assegurar-se de que a criança compreendeu as solicitações. Falar alto ou usar microfone.

– Valorizar as ações do indivíduo visando melhorar a autoestima.

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